domingo, 13 de maio de 2012

Fala Bia!



Olá meus queridos!

Hoje finalmente conseguirei responder as perguntas do mais novo "Fala Bia!"

Desculpem a demora em responder. Mas de bônus já aviso que tenho uma nova ideia de história na cabeça e espero que em breve a postarei aqui. Mas vamos as respostas!

Quando você começou a fumar e por quê?

Hahahahah todo mundo me pergunta isso. Bom, eu sempre tive vontade pra falar a verdade, acho que isso vem do fato de que minha mãe fumou durante a gravidez, mas faltava aquele empurrão final sabe? Então fiz uma amiga na faculdade que era fumante, ai a coisa toda progrediu, pedi um trago, peguei gosto pela coisa e cá estou agora me intoxicando.

O cara do texto Vazio é real ou fictício?

Um pouco dos dois ;D

Quem é a pessoa que mais te inspira a fazer os textos daqui?

Bom, Trilogia do Nada é um blog cronológico. Ele mistura ficção com parte da minha vida, isso inclui pessoas, elas podem saber que eu existo ou não, podem se envolver comigo de alguma maneira ou não, podem ter participação direta ou indireta aqui. Conforme elas vão saindo e entrando na minha vida, pode ter certeza de que, pelo menos uma vez, elas passarão por aqui.

Acho que não tenho uma pessoa que mais me inspira a escrever os posts daqui, acho que depende do tempo de permanência de cada uma delas. Mas num palpite impulsivo e sem muita reflexão, eu diria que o Bentinho, foi a que mais me fez escrever. Vejamos se alguma embarcação consegue mudar essa marca.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Feitiço



Música: Aqui neste lugar

Banda: Sérgio Britto e Negra Li

Nota da Autora: Inspiração, inspiração, inspiração. Mas ainda não consigo lidar com gente incompetente.

Nota da Autora 2: Essa precisa ouvir no repeat

-X-


- Já sentiu uma alegria explodindo no seu peito, uma vontade muito idiota de ficar sorrindo sem motivo aparente? É estranho. Você tem vontade de sair gritando feito um desvairado, correr até ter câimbra nas duas pernas, agitar os braços e expressar essa alegria insana. Já sentiu isso alguma vez?

Ela mirava o teto do quarto, falava com um sorriso nos lábios e um brilho reluzente no olhar. Gesticulava energicamente e seu tom de voz subia conforme descrevia aquele sentimento intenso.

Ele virou a cabeça em sua direção e deu mais um trago em seu cigarro, sem filtro, e o mesmo sorriso esboçou-se em seus lábios.

- Já. Quando eu vou em shows geralmente isso acontece.

- E fora deles? Já sentiu isso fora de casas lotadas de gente? Sozinho, no meio da rua ou em uma situação diferente?
Ele fez uma careta pensativa e coçou a barba escura com a mão vaga. Encontrava-se recostado na cama, as pernas relaxadas e parcialmente cobertas por um lençol branco.

- Nunca parei pra pensar nisso. E você?

Ela se sentou na cama virando o corpo pálido e magro em sua direção, o desenho colorido de um pássaro imperial e majestoso era o único contraste de cor naquela imensidão quente e muscular de pele clara. Ajeitou desleixadamente os cabelos para longe do rosto.

- Já. Mas eu não sei o motivo disso.

- Vai ver essa felicidade genuína não precisa de explicação, vai ver é uma coisa que a gente sente de repente. É triste se você parar pra pensar porque, levando em conta o mundo como ele é hoje, e as pessoas que vivem nele hoje, sentir essa felicidade genuína é uma coisa rara. Considere-se privilegiada.

Ela virou o rosto para o lado e ele pode admirar seu perfil por uns breves segundos, o nariz pequeno e arrebitado, o queixo redondo e os lábios finos mas potentes. Lábios esses que ele havia almejado por muito tempo.

Ainda parecia surreal demais pra ser verdade.

- É, isso realmente é muito triste. A vida era realmente mais fácil antigamente pras pessoas eu acho. Não tínhamos tantas preocupações e eu acho que essa felicidade genuína era muito mais acessível.

- Relaxa, ainda criam um aplicativo pra isso.

Ela riu e ele apagou o cigarro. Reclinou-se em direção a garota de mãos curiosas, mãos essas dotadas de uma habilidade incrível. Ela sabia o poder das palavras mas principalmente, sabia como usá-las a seu favor.

E foi assim que ela o trouxe para perto.

Ela então o viu de perto. Depois de tantas imagens digitalizadas, depois de tantas letras enfileiradas na ordem certa, depois da distância e da surpresa. Ela então o viu de perto.

Ele estava ali.

Era real.

Ele existia.

Não era um holograma.

Ou um programa de computador.

Era carne, músculo, sangue, suor, ossos, pelos, cabelos, unhas, dentes, coração.

Ele era de verdade.

Era um homem.

E ela sabia que um dia, ele iria embora.

Passou os dedos brancos e calejados em seus cabelos encaracolados e rebeldes, deixou-os afundar naquela imensidão escura e sentiu a textura suave dos fios. Não ligou para o suor que residia no couro cabeludo, ela mesma estava suada, não era relevante para o momento.

Brincou com o lóbulo da orelha dele soltando um risinho de malícia ao se lembrar do que fizera minutos antes, desenhou o contorno na mandíbula com o dedo indicador descendo pelo centro do pescoço e acariciando suavemente as clavículas.

Ele mirava o que acontecia na hora. Seus olhos tinham um calor tenro e até paternal, “Quero o melhor para você” e, inconscientemente, um riso genuíno aparecia em seus lábios de modo discreto.

- Por que você gosta tanto de me tocar?

- Porque eu ainda não acredito que você existe e que você esta aqui comigo.

Seu olhar encontrou com o dela e então os dois polos de cor se chocaram, o marrom da terra com o azul do mar. Dois extremos que colidem numa proximidade afetiva, pura e dependendo da situação, carnal.

- É difícil acreditar mesmo.

- 5 anos já. 5 anos que a gente sabe da existência um do outro, e ainda assim, cada um foi pro seu lado.

- As coisas funcionam de um jeito estranho, não é como os religiosos dizem “Deus escreve certo por linhas tortas?”

- Deus é disléxico então?

- Não, acho que só torto mesmo.

Riram. Juntaram as testas e fecharam os olhos, ela deixou que as mãos dele passeassem por suas costas magras, embolando-se em seus cabelos, “Cabelos de sereia” como ele mesmo diria, eventualmente e parando em seu queixo.

- A gente não vai se apaixonar né?

- Não sei. Você vai?

- Preciso saber se você vai ou não, pra não me machucar depois. Você vai?

- Não sei. Você acha que vai?

- Posso não me apaixonar, mas você já sabe onde fica o mapa que guarda o tesouro.

Ele segurou seu dedo anelar esquerdo, o dedo mais importante, e beijou a cicatriz em formato de “X” como que abençoando um tesouro de navio pirata. Ela riu. Não iriam se apaixonar, não naquele momento.

- Posso vender essa informação por muito dinheiro, você sabe disso?

- Você sabe mexer com dinheiro e sabe as palavras difíceis de economia, não é justo.

- Ficarei rico as suas custas!

Riram novamente. Ela lhe mandou uma careta e um leve soco no braço. Viu o polvo e a âncora, viu o leme e a embarcação, as cordas e gaivotas. Talvez ele fosse um corsário atrás de sua fortuna, talvez fosse somente um navio mercante atrás do porto certo, viajando pelos sete mares e, eventualmente, topando com sereias em seu caminho.

Ele a derrubou na cama deitando parcialmente em cima de seu torso, tateou suas costelas até sentir as guelras, acariciou as escamas e contornou a coruja que morava em sua perna. Uma incongruência. E não era assim todo o ser humano? Uma incongruência de personalidades? Uma desarmonia de vontades e não coesão de sonhos?

Viu as penas, o bico, a rosa e os olhos ferozes. Uma coruja selvagem pertencente a uma sereia. Dizem que a alma da gente nada tem a ver com o corpo e isso ele agora via como sendo uma verdade.

Seria essa coruja domável? Ficaria ela por vontade própria e levantaria voo quando entediada? Cortaria ele os dedos em seu bico ou nos espinhos? Suas penas eram mesmo tão macias quanto aparentavam?

Encarou o desenho por segundos filosofando a respeito daquela sereia de concreto vivendo num mar de edifícios recheado de enguias subterrâneas e tubarões em firmas de advocacia. Um mar onde os piratas não içam velas e as barracudas nadam sempre no mesmo sentido quando o relógio bate seis horas.

- Você também tem uma coruja na perna, não precisa olhar tanto pra minha.

- A sua é diferente. Ela morde.

- Só morde se eu quiser que ela morda.

- E você quer que ela me morda?

- Não, quem vai te morder sou eu. De novo.

Ele riu conforme ela o puxava para perto, deitaram num beijo risonho e infantil. Puro e carinhoso, intenso, mas só quando adequado.

Cordialmente, o pássaro majestoso permitiu que ele o tocasse, atravessando os dedos por suas penas coloridas sem nunca derrubar a coroa que usava. Permitiu que as unhas arranhassem uma declaração de amor sem arruinar o sentimento e sentiu a partida das mãos conforme elas subiam para a coluna.

Ela enrolou os dedos nos cabelos negros novamente, fez cachos e mais cachos conforme seu corpo afundava numa âncora guardada por um polvo de três pernas. Deixou o ar das velas do navio secar seus cabelos molhados de água salgada e não sentiu o desespero de respirar.

O lençol branco se perdera na espuma do mar e o colchão dera espaço para o casco do navio que balançava segundo o ritmo das ondas. A lâmpada virara o sol, mas sem os efeitos ultravioleta, e a música soava como gaivotas pairando pela imensidão do céu de brigadeiro.

- Eu já entendi porque você me enfeitiçou.

- Ah é? E qual foi o meu segredo?

- Você cantou pra mim.

“Sua... Sua... Sua sereia de Homero!”

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pequenas mãos curiosas



Música: Seja até o fim


Banda: MOPTOP


Nota da Autora: GALERINHA! Mandem suas perguntinhas!


Nota da Autora 2: Uma coisa levou a outra, me empolguei e saiu esse post por acidente.


- x-


"- Não diga isso justo quando eu começo a sentir a embriaguez da bebida ou eu posso realmente acreditar hein?!"


É melhor você acreditar em mim quando eu te contar mais sobre as minhas coxas grossas, macias e brancas, minha pele de porcelana confortável e suave, meus lábios travessos porém cheios e minhas mãos muito, muito curiosas que podem tocar em tudo o que alcançarem. Inclusive em pessoas.


E você não vai acreditar no que essas pequeninas podem fazer! Tocar, pegar, arranhar, acariciar, cutucar, agarrar, beliscar e provocar!


Elas podem descer por todo o caminho da sua barriga e parar justo quando a diversão ia começar. Podem aprender a desafivelar seu cinto mas esquecerem quando estiverem a ponto de tirá-lo de suas calças.


Elas seguram cabelos enrolados com todo o vigor e gentilmente os acariciam conforme alcançam as orelhas, a linha da mandíbula ou até mesmo o pescoço. Elas gostam de coçar barbas e peitos, gostam de agarrar ombros e nádegas.


Mas o que elas realmente gostam, é de serem beijadas.


Delicadamente.


Maciamente.


Gentilmente.


Elas amam isso.


Elas até podem lhe dar permissão de guiá-las para onde quer que você deseje!


Mas a principal e mais importante coisa que você não pode esquecer, se suas verdadeiras intenções são as de manter as pequenas mãos curiosas perto de você é, seja gentil com a dona delas. Seja carinhoso com a fonte e as pequenas mãos curiosas estarão sempre ao seu alcance.


Explorando por debaixo da sua roupa, se infiltrando nos seus cabelos, no meio das suas pernas, carregando outras mãos consigo em direção a fonte, arranhando suas costas, acariciando seus lábios, puxando seu rosto para perto ou até permitindo que elas se enrolem nas suas pequenas mãos curiosas.


Como num aperto.


Macio.


Gentil.


Delicado.


Infantil.


Simples e puro.


Como deveria ser.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Híbrido



Música: When you were young
Banda: The Killers

Nota da Autora: Mas olha que beleza dois dias de posts SEGUIDOS!

Nota da Autora 2: Mande suas perguntas para o mais novo "Fala Bia!", é só ir na sessão Contato e enviar no email lá bonitinho. Relembrando que vale perguntar de tudo!

-x-

Não é um vazio que incomoda, ou um vazio que doi. A dor já veio e já foi embora, no entanto insiste em fazer esporádicas e indesejadas visitas. Mas nada que um jogo de cintura e uma boa caneca de café não resolvam.

Levou um cano do mecânico e o médico não tinha CRM. O carro ainda continua destruído, o dedo quebrado e o coração...

Bom, ele ainda precisa de reparo.

Vestiu as meias cor de rosa, calçou os patins e ajeitou os óculos. Descobriu que sozinha, podia explorar muito mais as rodovias subespaciais existentes nos sonhos de terceiros. Marcou um "X" no dedo mais importante como que selando um tesouro de navio pirata.

Não sabia onde estava o mapa e nem com quem o deixaria, vai ver seu destino não era ser uma embarcação ou leme de navio. Vai ver não precisaria içar velas ou calcular a direção do vento.

Vai ver tudo o que precisava, era pedir ao mar por sorte.

E aprender a navegar.

Não era um vazio que doia com o toque ou com a lembrança, não era uma dor que incomodava ou uma gravidade cheia de espinhos. Não havia abismo ou penhasco, desfiladeiro ou garganta de pedra para mergulhar. Não havia vertigem ou escorbuto para sentir.

Era uma coisa oca, da qual um dia a gente se acostuma, preenche e/ou aprende a lidar com isso. Uma nova tatuagem, uma porção de pele que uma vez foi imaculada e branca, manchar sua camiseta favorita de vinho ou quebrar o seu vidro de esmalte predileto.

A gente aprende a lidar com essas coisas.

Com a perda também.

Ela olhou-se no espelho e lembrou daquilo que sabia, não poderia esquecer tão cedo. Mediu o corpo de cima a baixo e descobriu, por debaixo das roupas, guelras que tanto a fizeram feliz um dia. Sentiu as bolhas brotando do peito machucado e a voz hipnoticamente bonita renascer de uma garganta que por muito tempo só teve lágrimas.

Colocou seu colar de conchas e os brincos de estrela do mar, abriu a janela e deixou a brisa salgada entrar. Viu a luz do farol ao longe e se recordou de quando cantava nas noites de lua cheia. Queria aquela vida de volta, queria aquele seu "eu" de volta, queria juntar o passado com o presente num híbrido maravilhoso que ninguém jamais colocara os olhos antes.

Tirou os óculos e soltou os cabelos. O vazio não incomodava ou doia, era uma grande massa oca que esvaziaria com o tempo. A mesma ausência que se senta quando se cortam os cabelos. Mirou os próprios no espelho, talvez os deixasse crescer.

Como uma sereia.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Uniforme heterogeneamente estranh



Música: Taste In men

Banda: Placebo

Nota da Autora: PESSOAS! Quero fazer mais um "Fala Bia!" mandem suas perguntas nos comentários que na próxima postagem eu as respondo. Vale perguntar sobre tudo, da minha vida pessoal até processo criativo. VAI POWER RANGERS TURBO VAI!

Nota da Autora 2: Consegui um emprego então as postagens podem demorar.

-X-

Uma estranha. Era como se sentia toda a vez que passava por ali. Independente do figurino ou jeito de arrumar o cabelo.

Para eles, ela era uma estranha.

Anti social? Talvez. Esquisita? Definitivamente.

Autêntica.

Sentia os olhares toda a vez que atravessava a massa ambulante composta de vários jeitos, formatos, cortes de cabelo, maquiagem ou vestimenta.

Era um grupo heterogêneo.

Mas ao mesmo tempo extremamente uniforme.

Andavam, transitavam e perambulavam pelos corredores. Bloqueavam as escadas e sempre impediam o acesso para as salas. Grupos. Filas. Montes ou montanhas de gente.

De novo, a massa uniforme.

Tragavam dos seus cigarros, cheiravam de sua fumaça, respiravam o seu ar. Mas o deles, tinha superioridade, arrogância e uma pitada de prepotência.
O mesmo tipo de droga, o mesmo tipo de música e o mesmo tipo de bebida. O mesmo jeito de rir, de dançar, de se relacionar, de amar?

Não, essa gente não ama.

Essa gente transa.

Estranho.

Tudo isso é muito estranho.

Mas e ela? Ela também pertencia a uma massa uniforme. O mesmo jeito de vestir e pensar. De falar e de se relacionar com as pessoas.

Mas era diferente.

Uniforme mas heterogêneo.

Singular mesmo em bando.

Drogas diferentes.

Música diferente.

Bebida diferente.

E jeito diferente.

Amor diferente? Ela não sabia, só podia responder por si mesma e colocar palavras em bocas de vocabulário extenso nunca foi muito sua melhor habilidade.

Mas ela preferia assim.

Estranha, esse sim era o seu forte.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pânico



Música: Olha só, moreno.

Artista: Mallu Magalhães (Gente ela digivolveu e o álbum novo é ótimo)

Nota da Autora: Ex-Namorado do mal 4, ativado.

Nota da Autora 2: Esse post é dedicado ao Lino (lindo) que veio me buzinar no facebook por atualização.

Nota da Autora 3: É.

-X-

O amor machuca. O amor doi.
Corrompe, invade e te destroi.

Amor.

Você se protege como pode.
Constroi castelos, torres, fortes e fortalezas.
Mas ele sempre consegue entrar.

São como as sereias de Homero.

São um placebo.

E quando menos se espera,
Seu navio esta afundando.
Desolado e sem esperanças
Simples e fácil assim.
Tenho medo de que irão rir de mim,
Do que e de como eu sou.

Amor.

Sentimento maldito que aos poucos se tornou mundano.
Todo mundo hoje diz "Eu te amo" como a quem bebe um gole de água, ou respira fundo.
O amor é assim.

Mundano.

Singelo mas ao mesmo tempo extremamente complicado.
E eu não sei o que fazer.

"Eu nunca contei isso pra ninguém."

sexta-feira, 16 de março de 2012

Reparo



Música: Summertime

Banda: My Chemical Romance

Nota da Autora: DESCULPA GENTE ;_; Muitas coisas acontecendo e meu tempo e inspiração pra postar sumiram ao mesmo tempo. Desculpa mesmo ._.

-X-


"Foge comigo?"

"Quando você quiser."

Era uma note fria de ceu limpo e mesmo com a escuridão ela pode ver que seus cabelos tinham o mesmo tom, a mesma cor. Como deveria ser.

Coincidência? Preferia pensar como um fato curioso.

O vento regularmente lhes fazia uma visita, não que ele fosse um convidado rude ou inconveniente, muito pelo contrário. Ambos preferiam assim.

"As vezes eu penso que você não é real."

"Vai ver você ainda esta no carro com a clavícula quebrada e com estilhaços de vidro por todo o lado."

Riram. Parecia impossível para ela conseguir compreender tudo aquilo, toda a sucessão de fatos que culminava na atual situação. Vai ver é verdade o que dizem sobre o amor.

Ele aparece quando menos se espera.

As mãos eram macias e mesmo com a cicatriz discreta e curiosa, elas não perderam a textura original. Gostava daquilo nele, ele era diferente mas não como os filmes ou livros retratavam. Ele era original. Autêntico.

E um tanto estranho.

Ele tinha regras de violência e libertação tatuadas no braço e uma letra grega que clamava pela liberdade do ser. Uma lembrança nostálgica no peito e a paixão pela música no braço esquerdo. Nunca havia passado pela cabeça dela que ele, tão recluso e tímido, escondesse uma persona tão interessante.

“Você é tudo o que eu sempre quis numa garota.”

“Eu não sinto vergonha em ser estranha perto de você.”

“Suas reações são engraçadas.”

Ela sabia que por trás da barba áspera e dos grandes cabelos loiros existia uma criança, podia ver em seus olhos castanhos toda a vez que ele ria. Ele tinha a inocência de um menino e a gentileza de um homem.

Permaneceram em silêncio por um tempo interminável, porém não menos delicioso. As mãos falavam com as mãos, as carícias aproveitavam um singelo e infinito bate papo e ela, por vezes, gostava de perder os dedos por entre os macios cabelos dele.

Eventualmente seus lábios conversavam, mas não com palavras e sim com o toque. Suave. Intenso. Demorado. Rápido ou divertido.

“Por que você esta rindo?”

“Eu rio porque eu estou gostando, é involuntário juro!”

Ambos sabiam que uma hora as mãos se separariam, as carícias encerrariam seu assunto e que seus dedos sentiriam frio. Sabiam que uma hora a conversa de seus lábios chegaria ao fim e a temperatura baixa adentraria suas peles e por lá permaneceria por um curto espaço de tempo.

“Eu estou gostando muito de você.”

“Eu também.”

Sabiam que seria apenas uma questão de horas até que tudo aquilo tivesse outro início. Sempre novo. Sempre melhorado. Sempre divertido e nunca inalcançável. Como deveria ser.

Um osso quebrado tem conserto.

Um dedo aberto dá-se um jeito.

Um carro destruído tem reparo.

Um coração, também.